sexta-feira, janeiro 19, 2007

O que é que me vais oferecer no dia 14 de Fevereiro?



Declaro aberto o concurso:

O que é que me vais oferecer no dia 14 de Fevereiro?
As respostas têm sido engraçadas, queridas, ou profundos baldes de água fria!:)
Dêm largas à vossa imaginação e respondam a esta musa! Vencerá a resposta mais original, seleccionada por um extenso comité de júris constituido por mim.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Deus, o que sinceramente penso dele


E venha filosofia
teologia que farte
o que se pense de Deus
é só de Deus uma parte

Dizendo que é só amor
fazes Deus menor que Deus
cercas o ilimitado
dos limites que são teus


Agostinho da Silva

Este foi um dos mais acarinhados filófosos portugueses do século XX. Também poeta e ensaísta, afirmava a liberdade como a mais importante qualidade do Homem.
Obrigado Agostinho da Silva.

Mais quadras de Agostinho da Silva : http://www.arte-sempre.net/wpespiral/?p=40

Biografia: http://www.instituto-camoes.pt/cvc/filosofia/1910h.html

Mal Amada

Chega de mentiras vãs
quando todas as manhãs
acordas ao meu lado...
É que eu já não posso mais
partilhar os rituais
É tudo tão igual

Não me ames por favor
Que eu sou mais feliz
Que viver acorrentada
Foi coisa que eu nunca quis
Mais vale ser mal amada
É o que o coração me diz

Já não sei há quanto tempo
os teus olhos não me vêm
apenas passam por mim
É intenso este vazio
já não sei o que fazer
esta noite o amor partiu
sem sequer adeus dizer

Não me ames por favor
Que eu sou mais feliz
Que viver acorrentada
Foi coisa que eu nunca quis
Mais vale ser mal amada
É o que o coração me diz


Não me ames por favor
Que eu sou mais feliz
Que viver acorrentada
Foi coisa que eu nunca quis
Mais vale ser mal amada
É o que o coração me diz

Mafalda Sachetti


Música sublime!

I'M ON FIRE




God I'M ON FIRE!




quarta-feira, janeiro 17, 2007

Preciso de escrever! AHHHHHHHHHHHHHHHHH! Minto, preciso de gritar! Esta escória da sociedade!! Estes miúdos que não percebem nada, são todos iguais! Clones de merda! E risinhos, e brincadeireinhas, é tão bonito, que bem que eles se dão! Que belo! Se ao menos tivessem um cérebro para ver quem se interessa por eles, escória! Escória da sociedade! Corja! Gentalha! Imbecis!!! Ai que revolta adolescente para aqui vai! Como é possível que o correcto não aconteça? O correcto era ser para mim, não para as outras! Destino amaldiçoado! AHHHHHHHHHHH! Como? Como é possível que um episódio ridículo me deixe a escoucinhar feito uma adolescente num concerto dos D'zrt! Help Me!




Inveja, ciúme, ridículo

São essas as palavras

Sad Clown


terça-feira, janeiro 16, 2007







É uma explosão.




É uma invasão






Que eu evito ver.
Mas que escorre e percorre todos os limites do meu ser.






segunda-feira, janeiro 15, 2007

Hoje vi pessoas!!!

Saio de casa...não me lembro de como desci as escadas mas sei que o barulho das duas habituais voltas com a chave para trancar a porta me feriram levemente os ouvidos. Chego à porta do prédio e a luz resplandece através dos vidros... saio...Como as cores da rua são claras, há quanto tempo as não via e que saudades Deus meu! (momento de plágio do dia). Adoro Luz (e árvores!)mas a luz nos olhos que faz doer, não a luz na cara. Quer dizer gosto da luz na cara desde que não esteja ninguém ao pé de mim. Não olho para a calçada, só para a frente e para cima, para o céu. Atravesso o parque. Quem olha para mim deve ver-me andar aos ziguezagues. A árvore do meio já está tão nua! E tem pintassilgos empoleirados nos seus raminhos. Só agora me apercebo que já é Inverno! Perdi assim tanto tempo? As cores são diferentes, hoje. O céu está baço e lindo, tudo parece uma pintura em sfumato. Gosto de lamber a boca, como a Björk. Não que eu queira ser como a Björk, não tenho motivos para querer ser com a Björk ... porque haveria de querer ser como a Björk? Ora essa, tolice! Gosto de lamber a boca porque já gostava, antes de saber que a Björk também o fazia, claro! (ai, só eu e as paredes é que sabem!...) Chego ao outro lado da rua, não reparo na cara do condutor que parou na passadeira. Desconfio que nem reparei se algum carro parou na passadeira. Agora sim olho a calçada. Deste lado é mais clara, combina com o dia. Novamente as árvores estão nuas. Ah mas aquela não, e mais parece uma floresta de kelp! (Ok, algologia destruiu-me o teco). Tem umas vagenzinhas bordô. Muitas, comparada com as outras nuas. Prossigo embrenhada naquele semi-nevoeiro matinal. O rio. Hoje não é o rio sujo. É quase um rio de águas cristalinas. Quase uma pista de gelo. Como um espelho quieto. Quase posso patinar nele... Pronto, agora aqui à frente já se vê outra vez que é um rio sujo. Ah, chego aquele rés-do-chão. Hoje já está a roupa estendida. Não está lá o preto a estender a roupa cá fora. Ele deve ajudar a mulher, é tão engraçado. Costumo vê-lo de manhã a estender roupa com a particularidade de ele ter de sair de casa para vir estender a roupa na rua! Isso é giro. Se eu vivesse num rés-do-chão talvez já me tivesse apercebido que o Inverno tinha chegado! Passo agora por um caminho de quase todos os dias, de terra e estreito, ladeado por belas ervas rasteiras e cócós de cão (e talvez de humano, para ser correcta). Ah agora vejo a alfazema na borda da rotunda, mas hoje não apanho um bocadinho. A bomba de gasolina ainda não abriu. Ramos Catarino é a empresa encarregada da obra. Claro... o nome Catarino (a) é omnipresente (e potente!). Agora começo a subir a rampa que também é ponte, e o quadro muda um bocado. Há um cheiro esquisito, que deve vir ali do lado esquerdo da lavagem automática de carros. Novamente, o céu. Amplo mas desfocado envolvendo a cidade. Por momentos o nevoeiro parece-me uma pesada poluição. Mas rapidamente o meu idealismo do dia faz esquecer a hipótese. Noto que hoje me esqueci de dar as habituais duas voltas na camisola de gola alta, e dou. As camisolas de gola alta foram feitas para pescoçudos. Vem um homem gordo e com um saco preto sobre o ombro esquerdo (o meu lado esquerdo). Conforme se aproxima constato que é um cigano. Quase perto de mim ele pára, olha do alto da ponte e cospe para o rio lá em baixo. Não fico com muito nojo mas quando olho lá para baixo e vejo a água com aspecto sujo fico um bocado incomodada. Mais à frente no caminho está uma rapariga, da qual não recordo nada. Passo para o outro lado da estrada. Estou num passeio estreito de onde sinto o vento dos carros a passar e do meu lado direito tenho paredes sujas e pretas. Imediatamente à minha frente está uma preta empurrando freneticamente um carrinho de bebé. Ela não tem praticamente cabelo, está muito muito curtinho, mas mesmo assim vê-se que é carapinha. Traz umas calças brancas que estalam naquele cenário sujo e escuro. Por baixo tem umas cuecas ou vermelhas ou rosa, não percebo muito bem, mas que se notam perfeitamente por baixo das calças. Fico quase enconstada a ela a olhar para o rabo a ver se percebo de que cor é que são afinal as cuecas. Apercebo-me que é melhor tirar dali os olhos porque pareceria estranho às pessoas que vêm na direcção oposta. Iam ver um bébé num carrinho, atrás uma senhora a empurrá-lo e atrás dela uma miúda a avaliar-lhe o rabo. Não era uma quadro muito bonito. Continuo e só quando chego perto da entrada do metro, ao pé das cascas de laranja, é que penso, vou pôr isto no blog. Como é habitual há senhora a vender botinhas de criança e camisolas de gola alta à entrada do metro. Hoje não está lá a que vende as botas, ontem lembrei-me dela e achei que devia ter comprado um par que lá estava a semana passada. Entro na estação e compro um bilhete de ida e volta. Faço parte dos 5% de pessoas que sobem as escadas do metro a pé. Vejo uma senhora de terceira idade (este nome é feio) quase a a terminar a subida, no topo das escadas. A minha experiência a subir escadas de metro diz-me que dos 5% talvez a maioria sejam velhinhos que sobem as escadas do metro a pé. Isso é bonito! Sento-me à espera. Passa uma senhora baixa mas com botas altas e aspecto seguro, mas reparo que tem uma estranha mancha na narina esquerda (a dela e a minha). Porque é que há gajos que usam as calças apertadinhas? Para se ver o cú? Aquilo até os deve magoar. Gosto mais dos que usam calças largas as calças apertadas no rabo não ficam bem... ah pera, mas àquele ficam...hum nice! Ah é pena fumar!... O metro chegou. Entro. A senhora que subiu as escadas senta-se. Eu fico de pé perto dela. Quando for mais velha quero ser assim, continuar a subir escadas com a força dela, usar batôn e pôr-me arranjadinha como ela. Cheira pum, que mal! Não fui eu, a sério! Se calhar até foi a velhinha! Ponho-me a tentar fazer a ridícula estatística de quantos africanos existem na carruagem, mas desisto. Numa paragem qualquer entra um rapaz enigmático. O cabelo é bom de mau e tem a cara gira. Vêm colocar-se estranhamente perto de mim. Eu até gosto, sinto-me mais ou menos aconchegada. Ele cheira...cheira...ao Eduardo. Epá ele faz-me lembrar o Eduardo, é isso, o Eduardo. Ah mas desta vez não o vou deixar fugir (ou vou?) Epá que cheiro, é mesmo o Eduardo! Que momento bizarro. Sinto-me ligeiramente desconfortável porque está demasiado próximo, ou então sou eu a fazer filmes porque está muita luz no metro para eu estar perto de alguém. De qualquer das maneiras se vivesse no planeta Marte era bem capaz de me deixar descair como quem não quer a coisa para os braços dele e ficar naquela bizarria hipnotizante. Saio do metro e imagino que ele possa ter olhado para o meu rabo, ficando desiludido (:D). E logo hoje que estou tão encolhida! As escadas rolantes deste lado estão em manutenção. Dou a volta e dirijo-me para as outras escadas. Quase bato numa senhora. Mais uma vez declaro para mim própria que o metro é um local lindo para uma filmagem, cheio de poesia feita de imagens. Muitas vezes imagino que alguém dentro do metro em andamento olha para mim na estação e me deseja. E fica assim a olhar para mim e a ir embora. E eu sinto-me especial! Sim, definitivamente o metro é um local cheio de perspectivas fantásticas. Saio para a rua. Com sempre uma rapariga distribui uns papéis laranja à saída. Atravesso a passadeira, o cabrão do taxista quase parece que me vai atropelar. Vejo uns miúdos ao fundo, com as malas às costas, parece que estão a fazer um comício, que giros! Dobro a esquina e penso que só tenho estado atenta a pessoas e que não pode ser. Tento observar outras coisas. Ok, do lado esquerdo tenho o bingo do Sporting, por isso não. Em cima passa a 2ª circular, que tem a sua beleza mas não hoje particularmente... Ah, o semáforo verde, fixe! Passam agora dois corredores de calças bem justinhas men, de licra!Epá mas estas ficam mesmo muita bem! O atleta preto olha para mim, há uma fracção de segundo em que o tempo parece que pára... ai tinha cá umas pernas ... mesmo de atleta, com músculos definidos....hum...! Ok, com isto desisto de dedicar atenção a coisas.Prefiro observar pessoas, afinal ultimamente só me tenho visto a mim e a seres com os quais tenho consaguinidade (excepto a namorada do meu irmão e os meus piriquitos). Preciso de pessoas, sozinhos não somos ninguém. Pronto, e com o deslumbramento pelos atletas o semáforo fechou e agora tenho de esperar. Ultimamente tenho o hábito de não ficar parada à espera que o semáforo abra. Começo andar às voltas para trás e para a frente e gosto de ver a cara das pessoas, alguns com aquele olhar "o que tu queres sei eu!" e eu imagino-me a responder : " pois é, queria umas massagens!" Entro agora na parte que mais gosto dos meus dias de faculdade, ou seja na parte que mais gosto da maioria dos meus dias: árvores. Do lado esquerdo e direito: árvores! Árvores dentro do Museu da Cidade, árvores em frente ao Museu da Cidade, àrvores no jardim do Museu da Cidade, àrvores entre o Museu da Cidade e o jardim do Campo Grande, àrvores no jardim do Campo Grande, àrvores em frente à estátua do Peixoto. Àrvores a fazerem sexo como sol. Inicio, depois do êxtase com as árvores, o belo do pisoteio das gramíneas do relvado do C8. Faço corta mato porque como adverte um amigo de uma amiga minha a hipotenusa é menor que a soma dos catetos. Atravesso a faculdade em direcção ao c2. Dentro do c1 caio na realidade e começo a ficar nervosa com aquilo que até aqui tinha evitado pensar. Se o prof de Algologia chegou antes de mim, saberá que estou a entregar o exame depois do prazo e pode anular este conjunto de papéis que tão "sofridamente" me custaram a escrever (e que me privaram tantas horas de ver pessoas!) Aproximo-me da porta de abertura automática do c2. Quem será que vou encontrar? Amigos? Quais? (e o professor Pena, e se encontras o professor?...) Ok, estou no topo do corredor, os correios dos profs ficam lá ao fundo. Ao longe vejo um homem --> o professor? - Não. Vê-se logo pelo rabo ... e pelas costas!:). Chego à caixa do correio, o nervosismo acelerou ... AH! O prof ainda não tinha vindo buscar os exames! Yupiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Safei-me!!!!! :) Sou a pessoa mais feliz do mundo!!! Ok, sem exageros a mais feliz de Odivelas! Err... do meu prédio? Andar?.... Não interessa! Fico com um sorriso na cara a puxar para a gargalhada e apetece-me dar um pulo! e dou por dentro, se calhar até dei por fora e nem me apercebi! Dirijo-me para a sala de computadores e começo a escrever esta verborreia mental! Já estou nisto há duas horas e nunca pensei que ainda tinha cabeça para o fazer!
Para acabar em beleza, o meu leitor de mp3 não teria as pilhas gastas e eu podia ir para casa a ouvir Radiohead e Nat King Cole.
:)

sexta-feira, janeiro 12, 2007


Porque é que se eu não gostar de cães e crianças, tenho mau coração?

Gosto de árvores, mas ninguém me diz que sou boa rapariga por isso! Mas se fizer uma festinha a um cão ou disser : "oh, que bonita criança" já sou uma gaja sensível e carinhosa, que vai ser uma boa mãe!

Pois bem há dias em que não gosto de cães nem de crianças! Tou farta de ouvir todos os dias o bebé da minha vizinha a berrar e de ver cães a receberem mais festinhas do que eu!
Em contrapartida idolatro árvores, árvores, árvores, porque não chateiam, calam e ouvem. São sempre reconfortantes e transformam o lugar mais cinzento no mais resplandecente. Nunca me criticam, nunca me acusam. Como a sua resposta é o silêncio, admito que me compreendem e isso enche. São os seres vivos mais pacientes que conheço, e isso é uma qualidade fundamental para lidar comigo...
Qualquer dia passo a já não saber falar com pessoas, porque já só quero falar com árvores!

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Hoje chegou um embrulho com tudo
Vi e ceguei,
Porque já nada mais há para ver

O significado é esse
Nunca conseguir ver tudo
Para continuar a querer
Sofremos porque não sabemos
Vencemos porque continuamos

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Deus!!!!!! Ah.....

Deus nasceu um dia daqui a muitos anos
Reza a história que lhe ouvi contar
Todas as noites chamo Deus para dentro
Todas as manhãs ele sai para vadiar
Parece que na sua imensidão se perdeu
E saiu da terrena órbita infernal
Consta que decidiu pousar para um anúncio
De uma mui respeitada estância termal
Lá para os lados da Cassiopeia,
Aquela que saiu com o Apolo
E apareceu de barriga cheia!
Aproveitou para uma massagem e um chá com vista para o céu
Mas recusou a volta de boleia.
É que um Buraco Negro vinha a caminho
E ofereceu-lhe o lugar do lado
Mas Deus deu logo a piada babosa “Deixe estar!
Para buracos já me chega o do Orçamento de Estado!”
Deus é a maior e mais importante entidade
Fez o amor e os passarinhos, as flores e os coisinhos
E tudo aquilo que ao pensar me faz ter vontade
De chamar o Gregório para apreciarmos juntos a beleza
Ele é grande, Ele é fashion (não usa suspensórios) e sabe sentar-se à mesa
Concerteza! Desde que não sejam treze Deus come tudo e não deixa nada
Ficou traumatizado porque aos treze lhe comeram a namorada!

Ah, hoje pedi a Deus que a Guida não visse isto!

sábado, janeiro 06, 2007

Eu queria emigrar para um país cheio de árvores


Eu queria viajar para um sítio com palmeiras e água quente.
Sentir nos pés a areia do descanso e no cabelo a ausência de pensamento.
Partir porque isso significava deixar para trás os Invernos e a lama
Chegar a um destino ensolarado pleno de florestas virgens
Perfumar o meu corpo de ramagens e vestir-me de árvore ao pôr-do-sol.
Eu queria ir para esse mundo onde o medo não me afronta
Onde o amor vence desde o dia que raia à noite que acorda.
Queria ver rapazes amarem raparigas
A calma apaziguar os corpos e o suspiro leve do vento embalar os corações.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Faço de tudo. Abro e fecho a página do google 200 vezes por minuto, passeio entre os blogues, escrevo coisas estúpidas no meu blog, verifico 200 vezes por minuto como correm os downloads, vou 200 vezes aos sites porno (que diga-se perderam toda a originalidade), finjo 200 vezes por minuto que tenho de repetidamente rectificar o hotmail porque espero um mail urgente, ligo o rádio e danço durante uma hora (fogo, passou rápido) porque afinal preciso de relaxar antes de começar, convenço-me 200 vezes por minuto que amanhã vou iniciar o estudo e fico com um sorriso de satisfação. E o pior é que acredito mesmo. Já não sei o que fazer. Ah a minha mãe teria uma resposta pronta: "Limpa o pó, passa a ferro, apanha a roupa, limpa a casa, sê uma menina como eu vejo tantas!" E ela tem razão, mas eu sou uma preguiçosa. Também há-de haver outras tantas como eu, ora! A verdade é que eu não posso dizer que não vou fazer estes exames para limpar o pó e lavar a casa-de-banho porque se pudesse fazia isso!
Basicamente estou empalhada. Levanto-me, faço xixi, e coloco-me de molho em fermol (perdão, álcool, que fermol é cancerígeno) em frente ao pc. E que bela vidinha. Levanto-me para comer e passo pelo wc, afinal já tou há 5 horas a tentar dialogar com o logótipo do google e tenho necessidades para fazer.
Aiiiiiiiiiiiiii

Mariposas!

Aí vinha ela aproximando-se moribunda, voando como se tremesse. Ela aí vinha, a mariposa. Antecipei a suavidade do encontro, acreditei que era hoje, era hoje que eu ouvia o que ela tinha para me dizer.

Não sou paranóica, nunca lhes liguei muito, não sou daquelas miúdas que coloca borboletas e lacinhos em tudo quanto é sítio. Isso até me dá um certo enjoo cor-de-rosinha. Mas desde este Verão que olho as borboletas de outra forma. Elas vêm ter comigo. Corrijo: elas vêm contra mim, não passam por baixo, nem por cima, nem de lado. Vêm contra mim.
Ok, podia ser das cores berrantes que às vezes uso, afinal há quem me chame escandalosa. Mas mesmo quando estava tão sombriazinha elas vinham como balas delicadas.
Cogitei (uau) a possibilidade do meu cheiro as atrair e entontecer (por ser muito bom) e isso podia explicar aquele voo trémulo desenhando os suspiros do vento. Mas essa hipótese foi logo posta de parte, porque me apeteceu.
Então percebi. As mariposas têm algo para me dizer. Elas passam, suavemente, parece que o tempo pára quando elas roçam, quase ouço. Quase ouço ... Eu sei. Elas têm algo para me dizer mas não percebo se elas passam demasiado rápido, se eu não ouço bem, se elas são tímidas, se eu é que sou demasiado tímida para acreditar. A verdade é que eu sei, porque sinto, elas têm algo para me dizer.
De cada vez que elas vinham comecei a desviar-me, não fossem as pobres desfazer-se embora eu desconfie que elas até iam gostar. Parecia que vinham entregar-se de livre vontade à morte (não gosto de falar disto, fico logo com uma lágrima no canto do olho).
Bom, hoje pensei que era desta, que aquela mariposazinha ia demorar-se um pouco mais, vinha tão entornada, meio inclinada. Ali estava aquele ser fantástico, sobrenatural, destinado a entregar-me a mensagem preciosa que iria ajudar-me a perceber tudo o que existe. Aproximou-se e aquele momento foi quase um orgasmo...ela ia dizer-me o que todas as outras houveram tentado! Bateu-me, quase caí do passeio. Desviei-me, e ela demorou-se colada a mim, pegada, quase ronronando por um miminho ... Eu estava no auge durante aqueles intermináveis segundos onde pura e simplesmente não foi emitida qualquer mensagem. Passou, já estava atrás de mim, eu já estava atrás dela, esquecida de novo. Ah... aquela cabra! Com aquele porte tão frágil, aquela corzinha débil, ali a bater-me como a querer acordar-me, a querer atingir-me, a querer chamar-me. Cabra, e não me diz nada. E eu a pensar que as borboletas são seres superiores, enviados dos céus, para me darem um sinal qualquer. Hei-de estrangular-vos, torturar-vos até sair daí essa conversa! Retirar lentamente cada asinha, cada patinha, cada antenazinha!
Até lá quem sofre a tortura sou eu, só penso nisto, o quem terão elas para me dizer? Decidi que o assunto era urgente e de extrema importância e que a época de exames podia esperar perante esta situação. Vou descobrir este mistério, e este semestre fica para segundo plano. Falei com os meus pais, disse: "Pais, as borboletas têm algo para me dizer, vou esquecer a época de exames e dedicar-me a este assunto"
Eles responderam: "Ok"
Parece-me bem.
'Por muito tempo achei
que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada,aconchegada
nos meus braços, que rio e danço
e invento exclamações alegres,
porque a ausência,
essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim'.

Carlos Drummond de Andrade


Epá um dos meus poemas preferidos de sempre. Coisa mai linda!

... pela Inquisição

Eu não implorei nada, mas esperei. E esperar tem a violência do estar sem ter, a brutalidade da falta oferecida de presente. Obrigada. Eu não pedi, mas esperei mudamente e nunca veio nada em resposta ao meu silêncio. É claro. Compreendo. Eu não tentei, não corri, não andei. Mas esperei. Pensava que para viajar bastava sentir como dizia o Alberto Caeiro. Acabas de desafiar o Fernando. Espero que ele te venha assombrar nestas noites em que eu continuo à espera. Nestas noites em que pensar incomoda como andar à chuva. E pensar em ti incomoda como ser queimada em praça pública pela Inquisição. Sinto-me acusada de ser. Uma imensa culpa do que sou.

Ah, obrigada.

Poema de Inverno

Veio de longe, e mal chegou
partiu para mais longe ainda:
só o tempo justo para fazer
das águas dormentes do meu trôpego
coração
um rumor de sílabas matinais.

Como toda a gente que partilha
com a luz a sua vida
era muito inocente, trazia do local
onde nascera
o ardor das coisas do mar.

Não sei de alegria tão pura
como a que morava nas molhadas
pedras dos seus olhos,
e baila ainda nas chamas
em qualquer lugar da casa.

Ao fim da tarde, o canto
do pequeno pássaro e o vento diziam
a mesma coisa: não deixes o incêndio
do deserto invadir-te o coração.
Sem que tu o suspeites, sequer.

Eugénio de Andrade in Os Sulcos da Sede

Retirei este poema de um blog que visitei recentemente ...
Agarrou-me especialmente a última estrofe como se estivesse a ler o que estava escrito dentro de mim. Não quero deixar que o incêndio do deserto invada o meu coração, sem que eu o suspeite sequer.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Dançar na promiscuidade da incerteza

Pensar faz mal, pensam alguns:) ……

Meditar no sentido disto, da vida, talvez não faça sentido nenhum, talvez faça todo o sentido. A verdade é que ela não existe. Tudo é um grande não saber, um grande talvez, uma grande hipótese. Quem sabe tudo o que sabemos são apenas hipóteses à verdadeira realidade que na realidade não conhecemos. Pensar nisto é embarcar numa dança sem passos ensaiados, sem destino, onde as surpresas surgem na expressão do nosso corpo. Num Universo tão promíscuo de dúvidas, de interrogações, de inquietações, ter certezas pode ser uma fortaleza ou uma fraqueza. Se não virmos um propósito em tudo isto, a vida perde o valor e nós perdemos a vontade nela. No entanto, o nosso propósito pode ser não haver propósito nenhum e isso pode enlouquecer-nos … ou pacificar-nos.
As incertezas podem assustar-nos ou simplesmente libertar-nos.
E eu adoro dançar.

sábado, dezembro 16, 2006

Perdi?


perdi alguma coisa que já não me lembro
perdi a memória, também
esqueci
as pausas pausam o tempo...
se eu tivesse ao menos um pequeno menos a mais
em vez deste mais sempre a menos
Perco sempre alguma coisa que não sei o que é
E a dor de a perder fica perdida também
Impõe-se então um ficar sem ficar
um ficar a dobrar
Assim o que sei, o que sou
está suspenso entre o tempo
O que sinto, um céu cheio de neve a flutuar

domingo, novembro 12, 2006

Apaga a luz...


Apaga a luz,
Pediu o pequeno quarto sonolento
E a escuridão apagou.
Mas logo a radiação intensa do pensamento
Todo o pequeno quarto iluminou

Gosto que te acendas,
Confessou o cobertor felpudo
Oferecendo ao meu corpo o calor
Daquele sentimento desnudo
Reverberante de amor

Ah, desliga logo essa luz,
Protestou a almofada
Do mundo inferior da Razão.
Condena a repouso a mente
E a eterno fugitivo o coração

Parem,
Moderou o tecto do quarto.
A luz deve escolher como pode
O destino do delicado barco
Que ora desliza ora sacode

Por fim, a luz decidiu-se
Como se decidem na natureza as estações
A permanecer no limbo indeciso
Pintado de flores e trovões...

Até que viesse outra luz
Ou outra escuridão mais forte.

(oh espantadiço coração!)

:)

quarta-feira, outubro 25, 2006

As pequenas chuvas ....

Gostava de dizer qual o céu que me contenta
Partilhar os pequenos mundos que aprecio
As pequenas chuvas com que me envolvo de prazer

Os chocolates que desembrulho e saboreio na cabeça

Ah, mas não posso.

Não posso porque abrir a boca para explicá-los faria perder logo metade da sua beleza. Pior seria alguém escutá-los e nunca na verdade perceber o que são. Isso saberia a golpe duro, como a recusa de um presente dado em total pureza. Pior seria alguém escutá-los e sorrir e falar de outra coisa a seguir, como se o que foi dito revelasse apenas mais um vislumbre da minha personalidade. Não seria. Seria o céu que me agrada, as pequenas chuvas que me enchem de prazer, e isso é só meu mas é maior do que eu. Alguém disse um dia que não somos nós que escolhemos as canções, são elas que nos escolhem a nós. Assim são as minhas nuvens com um rasgo dourado de sol, ou sem sol, ou azuis, ou enevoadas, ou nos dias em que estão mais aborrecidas ou mais entusiasmadas. E estas nuvens feitas desta chuva e desta luz escolheram-me a mim.

Pior seria alguém escutá-las e nem sequer sorrir.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Radiohead : The spine-tingling band

The light at the end of the tunnel band

domingo, outubro 08, 2006

O amor e o nosso estado natural quando nao optamos pela dor, pelo medo ou pela culpa.

Willis Harman e Howard Rheingold

Se a verdade existe, esta seria inequivocamente uma verdade...

domingo, setembro 24, 2006

Prabhu Deva - Kalluri Vaanil Legendado em Português

Coreografia excelente, paisagens excelentes...uma grande produçãoooo!!!LOLOLO

sexta-feira, setembro 15, 2006

Abc Sexo

LOLOLOLOLOLOLOL
Eu adoro o meu país!

quarta-feira, setembro 13, 2006

"(...) O que me inveja não são esses jovens, esses fintabolistas, todos cheios de vigor. O que eu invejo, doutor, é quando o jogador cai no chão e se enrola e rebola a exibir bem alto as suas queixas. A dor dele faz parar o mundo. Um mundo cheio de dores verdadeiras paira perante a dor falsa de um futebolista. As minhas mágoas que são tantas e tão verdadeiras e nenhum árbitro manda parar a vida para me antender, reboladinho que estou por dentro, rasteirado que fui pelos outros. Se a vida fosse um relvado, quantos penalties eu já tinha marcado contra o destino? (...)"

/Mia Couto /in/ O fio das Missangas

mais palavras para quê?

segunda-feira, setembro 11, 2006

Russia 3 Hoops 2 Balls Athens 2004

Ganharam os jogos olímpicos de Atenas 2004! Brutalíssimo!
Chegámos ao Olimpo!Brutal!! :)

Eu tinha de pôr este! Esta senhora ganhou os jogos olímpicos de atenas 2004!

Alina Kabaeva Ball Sydney 2000
Um momento de rara beleza! Para mim o melhor...chega a ser comovente!:)

Yulia Barsukova Ball Sydney 2000
Esta senhora ganhou na prova de bola na Taça do Mundo de Portimão este ano! O número dela foi este, acho mesmo lindo!

Inna Zhukova Ball Moscow Grand Prix 2006

domingo, julho 23, 2006

Take The Lead; Latin Love Triangle

Epáa é pena a qualidade do vídeo não estar muito boa mas para mim foi a melhor cena do filme!!lindooo:)

domingo, julho 02, 2006

milonga
Words are Impossible

segunda-feira, junho 26, 2006


Numa casa muito estranha
toda feita de chocolate
vivia uma bruxa castanha
que adorava o disparate

Punha os copos no fogão
as panelas na banheira
as sapatos nas gavetas
as meias na frigideira
Escrevia com fios de água
dormia sempre de pé
cozinhava numa cama
e comia no bidé

Varria a casa com garfos
limpava o pó com farinha
deitava cem gatos na sala
e dormia na cozinha.

António Mota
Se tu visses o que eu vi - Gailivro

sexta-feira, junho 16, 2006

A minha trinca naquele pescoço apetitoso!




















Acho que a minha primeira experiência com câmara no msn não podia ter sido melhor!Começando primeiro por dançar chacha e abanar o rabiosque a um caliente amigo latino -Nelsssssss! - , terminei a dar trincas e beijinhos virtuais a um monumento madeirense!!!-Pedrooo - Meninas comprem uma câmara, eu sei que é tudo virtual mas sempre dá pa lavar os olhos com estas belezas!!!!

;););)aiiiiiiiiii estes miúdos estes miúdos....viram-me o mundo de pernas para o ar!

domingo, junho 11, 2006























Que existam sempre muitas árvores na minha vida!Gosto muito de árvores!

segunda-feira, maio 29, 2006


Esta frase é tão grande! é tão forte!

É Primavera!As abelhas fazem-no, as andorinhas fazem-no, os passarinhos fazem-no...e nós, porque não o fazemos? Porque não sabemos voar.....ou sabemos?

segunda-feira, maio 08, 2006

"De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo"

Vinicius de Moraes

http://www.viniciusdemoraes.com.br/

domingo, maio 07, 2006

Há homens...há pessoas....

há pessoas... há :)

http://www.astormentas.com/din/poema.asp?key=1687&titulo=Procura%2Dse+um+amigo

quarta-feira, abril 26, 2006

Entontece. Entontece. Entontece.

Entontece dizer
Entontece

segunda-feira, abril 24, 2006


"Ouvi dizer que o mundo acaba amanhã e eu tinha tantos planos p'ra depois ...

nas casas,
nos carros,
nas pontes,
nas ruas ... "

Ornatos Violeta


sexta-feira, abril 21, 2006

Sou eu



A infância, o ser criança, o vácuo da felicidade imensa ... ser criança não é o que eu pensava...ser criança é muito mais

"Aprendi com a primavera a me deixar cortar. E a voltar sempre inteira." Cecília Meireles


Com a Primavera Com a primavera



Aquarela


Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover com dois riscos tenho um guarda-chuva
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu

(...)

E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida
E depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
De uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá
(...)

Toquinho


quarta-feira, abril 19, 2006

às vezes só apetece dizer

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
ACÇÃO!
Cântico IV
Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno .
"Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde, foi nessa área que os livros se abriram e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."
Cecília Meireles

segunda-feira, março 27, 2006

You're unbelievable!















Lick me!




Ok começo a ter juízo amanhã...estou mesmo tolinha de todo...
Prometo que vou ter mais juízo
'Por muito tempo achei
que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada,aconchegada
nos meus braços,que rio e danço
e invento exclamações alegres,
porque a ausência,
essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim'.
(Carlos Drummond de Andrade)

Um bonita interpretação de liberdade?

domingo, março 26, 2006

Fixação Oral


Cannot resist ... can you?

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Eu


É um erro estar a escrever
Porque é tarde
Porque tenho sono
Porque estou cansada
Mas quero dizer quem sou
E como existo

Haverá sempre aqueles pedidos de desculpa
Nos meus silêncios,
Nas minhas noites
Haverá sempre contradições
Sobre os dias
Sentimentos e manifestações
Idiossincrasias
Minhas
Trespassadas de palpitação
Ou de entorpecimento pro-ilusão
Em que as paredes aclaram
A tela intrincada de imaginações,
Dou-me e não me dou
Olho o futuro
As magias
Do sonho
As possibilidades intensas
Da existência,
Magoo-me
Nesse vácuo
Do não poder partir
E do não poder chegar

Espreito por de leve o amor
Como se a espuma de uma onda
Apenas fosse
Que eu não deixo ser calor
Um breve fogo envolto em bruma
Sem exaltação nem dor

O amor,
Essa parte de mim aparentemente tão ausente
Com a qual nunca me ofusco
Mas que no fundo,
No fundo
Profundamente a sinto
Profundamente
A busco



Ana Pena

segunda-feira, dezembro 19, 2005















Alentejo - 2005


Ain't no sunshine when she's gone - Bill Withers

Ain't no sunshine when she's gone...and she's always gone too long Anytime she goes away
and
i know i know i knowi know i know i knowi know i know i know i know i know i know i knowi know i know i knowi know i know i know i know i know i knowi know i know i know i know
ain't leave the young thing alone



Ain't no sunshine when she's gone Ain't no sunshine when she's gone
Only darkness everyday
Ain't no sunshine when she's gone and this house just ain't no home
anytime she goes away
anytime she goes away
anytime she goes away
anytime she goes away



Get Out of Town - Ella Fitzgerald

Get out of town before it's too late my love... Get out of town Be good to me please
Just disappear i care for you much too much... And when you're near, close to me dear We touch too much..
The thrill when we meet is so bittersweet That darling, it's getting me down
So on your mark get set Get out of town ....



Sampa - Caetano Veloso

homenagem à cidade de São Paulo, Brasil

Alguma coisa acontece no meu coração que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João...
.... da dura poesia concreta de tuas esquinas da deselegância discreta de tuas meninas

Alguma coisa acontece no meu coração que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
chamei de mau gosto o que vi de mau gosto, mau gosto
é que Narciso acha feio o que não é espelho
E foste um difícil começo, afasto o que não conheço e quem vem de outro sonho feliz de cidade aprende depressa a chamar-te de realidade
porque és o avesso do avesso do avesso do avesso...



Eu sei que vou-te Amar - Caetano Veloso

Se soubesses o bem...
Eu sei que vou-te amar, por toda a minha vida eu vou-te amar, a cada despedida eu vou-te amar, desesperadamente eu sei que vou-te amar.....eu sei que vou chorar a cada ausência tua
eu vou chorar
mas cada volta tua há-de apagar o que essa tua ausência me causou,

eu sei k vou sofrer a enterna desventura de viver à espera de viver ao lado teu por toda minha vida...


Amem tudo e todos, percam-se.... e encontrem-se para novamente se perderem...porque a vida perde sentido se construírmos um castelo que não se pode derrubar para reconstruir outro...

Muita Saúde!

Feliz Natal e Feliz Resto do Ano*







sábado, dezembro 17, 2005




















Só o amor dá sentido à vida

sábado, novembro 19, 2005





Mais bonito que isto é impossível!
oLÁ comunidade de terráqueos!
Eu vim de um planeta distante, onde usamos estas fitas com um código de barras para sermos seleccionados pela selecção natural!A mim queriam-me dispensar porque não estava adaptada para tomar banho. Então eu fugi para a Terra onde posso viver à minha vontade e onde sei que mais bonito do que eu é impossível!
Obrigada tERRÁQUEOS por me receberem tão bem!

(Maria preciso de ti para piorar isto!!)

quarta-feira, outubro 19, 2005

Openupyoureyes




OpenUpYourEyes

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openupyoureyes open up your eyes


Open Up Your Eyes

domingo, outubro 02, 2005






Posted by Picasa Ps: esta foto foi tirada no Alentejo há pc tempo em Fronteira, uma terra muito bonita perto de Estremoz. Estava no alto de uma igreja, a Igreja do Monte!
Depois de um tempo de ausência voltei para aqui colocar uma frase de uma sms que nem sequer é minha...mas de uma amiga que adoro (a frase e a amiga!)

"(...) Não, não quero ser famosa, quero continuar a sair à rua e fazer um escândalo sem preocupações de não ser fashion. Não, não quero ser famosa! Quero é rir-me até ao fim "


Gostei mt mt mt mt mt .............

domingo, agosto 07, 2005

Uma praça, uma casa, uma asa
Na claridade, luz alva se introduz
Um roseiral, um rubro aroma floral
Sangra a brancura da varanda que seduz

Algures entre o que sonho, sinto e vejo
Nasce o batimento a mais de um beijo
Explosões de pétalas encarnadas
Demoram línguas em batalhas desejadas
Ao calor de corpos tomados pela Lua

Brilham fogos breves
Recolhem-se almas, homens não se mostram
Em cada corpo uma urna se insinua
Há um peso de enterrar quando os corações se afastam mas os braços se enroscam
Praça, casa, asa, cova
Na escuridão da noite que cava
A secura dum roseiral toma
Um defunto aroma mortal
Amaldiçoa a mentira encenada nos peitos
Envergonha-se da oca entrega carnal,
Cravada em tantas peles e leitos

07/08/05
Ana Pena

quinta-feira, agosto 04, 2005

Tudo nos meus olhos pede para voltares

Tudo nos meus olhos pede para voltares
Tudo nas tardes que passo a espiar-te quando sais do trabalho
Pede para voltares
Tudo nos telefonemas anónimos que te faço
Pede para voltares
Tudo nas lembranças que choro encostada às paredes
Implora para voltares
Tudo nos dias em que te escrevo cartas de amor que não entrego
Implora para voltares
Tudo na nossa música que cantavas à noite quando eu estava cansada
Implora para voltares
Tudo nos programas que gostavas e que passo a vida a ver
Pede para voltares
Tudo nas almofadas do sofá ainda com o teu cheiro
Pede para voltares
Tudo nas camisas que deixaste no armário e que eu acarinho
Pede para voltares
Tudo na nossa cama fria implora que a aqueças de novo
Tudo o que deixaste vazio na nossa casa implora o teu regresso

Tudo o que um dia me disseste, me pronunciaste ao ouvido
Faz-me pedir: Volta
Faz-me implorar: Volta
Faz-me precisar: Volta

Ana Pena

A imaginação é uma coisa perigosa

A imaginação é uma coisa perigosa.

Sabes o que é a auto-destruição?
É fazer conscientemente aquilo que não se quer fazer.

A minha boca é uma fonte cheia de areia, de pó, de nada
A palavra morre seca à nascença,
Ressequida pelo vento de todo e qualquer pensamento,
Pouco a pouco o deserto instalou-se na minha pensão degradada
Já vai ocupando todos os quartos rapidamente
Como um furacão enfurecido e esfomeado.
Pouco a pouco sinto o corpo maltratado a rodopiar no corredor da pensão,
Olho para todas as portas, todos os quartos engoliram escuridão
Um abismo de baratas forra um poço fundo
De onde só jorra areia, pó, nada
Posso chorar a minha falta de palavras esmagada
por uma fardo tão pesado de sentimentos?
Terei mãos para agir pensamentos e necessidades que não
tenho sequer coragem e força para falar?
Os quartos da pensão, poços escuros, olham-me
Magnetos chamando o meu desespero aprisionado
Num corpo chicoteado de sonhos.
O sol vê-se da pensão, comprovo duramente que existe
Mas não pode olhar para mim
Há um círculo demoníaco a expulsar anjos
De todos os quartos do meu ser

Como poço profundo, que não diz palavras, cospe só areia e nada, e sonha em agir e ter coragem de se exaurir e nascer de novo todos os dias em que acorda com vontade de cair no poço, como hoje.




Ana Pena (num dia1a beka mau...embora os dias maus sejam os de maior aprendizagem...e por isso em certa parte, bons)
2/8/05

quarta-feira, julho 20, 2005

... de Ti

..De Ti


Gosto de ti porque te lembro quando te esqueces do casaco
Gosto de ti porque gosto de mexer no teu cabelo devagar
Gosto de ti porque à força de repetir o teu nome, já não sei bem o meu
Enquanto te espero sinto fogo de artifício no meu corpo, gosto de ti
Gosto de ti porque viajo os meus pensamentos para o teu planeta
Gosto de ti porque adoro demorar os meus olhos na tua cara
Gosto de ti porque és um pesadelo que é melhor que um sonho
Se não me dizes nada fico triste, muito triste, gosto de ti
Gosto de ti porque gosto de dizer que sim, que gosto muito de ti
Gosto de ti porque se não gostas da comida eu também não
Gosto de ti porque o cheiro da tua proximidade entontece
Mesmo que esteja insegura penso sempre em ti, em nós, gosto de ti
Gosto de ti porque só me apetece beijar-te os braços todos
Gosto de ti porque gosto tanto da tua voz rara
Gosto de ti porque não me importo que não me contes tudo
Quando olhas com ternura para outras, continuo a sentir que gosto muito de ti
Gosto de ti porque quando achas especial alguma coisa eu também acho
Gosto de ti porque me ponho à tua frente quanto atravessamos uma estrada
Gosto de ti porque na rua quero comprar-te tudo o que vejo nas lojas
Ao receber alguma coisa de ti, tocas-me com tanto carinho, gosto de ti
Gosto de ti porque acho mesmo que és das melhores pessoas do mundo
Gosto de ti porque quando discutimos eu prefiro que tu ganhes
Gosto de ti porque me ensinaste que “o teu cabelo é um acto divino”
Nos dias em que não sei nada continuo a saber, sempre, que gosto muito, muito de ti



Ana Pena
19/07/05

quarta-feira, julho 13, 2005

NÃO se Vê

NÃO se Vê


Sibila a cigarra as notas sangrentas do (estar) só
Pinhal vazio de árvores que riscam o vácuo
Há pássaros estrangulados
Ausência de ar
Não se vê

Só pássaros mortos corpos espalhados. Horizontalmente
As minhocas dilaceradas no chão. É papa húmida.
Porque já não suportam os tóxicos do não, no chão que
Não se vê

Só minhocas. Empastadamente.
O pinhal não se mexe, não se respira, não se cria
Não se vê


Como eu agora a toda a hora porquê
Cantando notas sangrentas
Ninguém vê
Rigidamente
Há giz a chiar no quadro
Agudamente
Parte-se
Estou a chorar
Ninguém vê porquê
Ninguém vê
Ninguém vê
Ninguém vê



Ana Pena
13/07/05

domingo, julho 10, 2005

Sabes as folhas verdes das lembranças?
Estremecem hoje nos meus olhos,
Vasos de lágrimas.
Queria que o tempo não passasse
Mas permanecesse.
Como um pêndulo dos dias estagnado
Como um tic sem tac

Ouço os teus passos a ranger dentro do tímpano
Ensurdece lembrar a tua presença,
Rebenta comigo.
Vaga que se apodera de um corpo fraco
E o retalha brutalmente contra rocha afiada
Sucessivamente
A cada vez que percebo o absoluto da realidade

Pelo chão vidros
Reflectem fragmentos
Do meu rosto
Exteriores dos estilhaços cá por dentro

Há manhãs claras para quem se procura mutuamente
E florestas queimadas para quem se consome no antigamente.

terça-feira, julho 05, 2005

Há uma coisa que adoro no Alentejo


Posted by Picasa Alentejo, Estremoz, S.Bento do Cortiço 2005

Há uma coisa que eu adoro: o pôr-do-sol do Alentejo
Há uma coisa que eu desejo: que nunca haja um pôr-de-amor
No nosso ninho
Que nunca as oliveiras deixem cair a flor
Que a água nunca seque nas barragens
Há uma coisa que eu peço: que nunca haja um pôr-de-amor
Nas nossas margens
Outra coisa que adoro: o céu estrelado do Alentejo
Adoro cada estrela cadente, cada desejo
Que nosso campo de trigo exista sempre em nosso beijo
Que nunca cresça entre nós um monte nú
Há uma coisa que eu adoro no Alentejo
Tu


Ana Pena
5/07/05

sexta-feira, julho 01, 2005

Outrora

Outrora ficava satisfeita de sentir pássaros voar
De ouvir o vento nos cabelos, esquecer o tempo
E achar que seria sempre assim, sempre amar
E achar que seria sempre assim, todo o momento

O doce da vida era viver com aquele arrepiar
O mel que subia à boca, a tontura do sentimento
E achar que seria sempre assim, sempre amar
E achar que seria sempre assim, todo o momento

Laranjas aos gomos nos teus lábios
Molhavam-me a pele de doces sonhos
Os sentidos soltos em perpétuo movimento…
Corriam crinas ao vento
E achar que seria sempre assim, sempre amar
Que seria sempre assim, todo o momento…

Um dia o enforcado caiu do cadafalso
Estrangulado pelo laço do engano
Secretamente colocado no seu alvo
Ela, pela mão de um Cupido insano
Que não mediu o amar perdidamente que achou
Ela, ser sempre assim sem cadafalsos
Mas numa Torre há sempre uma donzela
Que se esqueceu de acreditar nos próprios passos

Ana Pena
01/07/05

Num campo sem longe nem perto

Cada casa tinha um campo de cidades a arder
Revoluções do mundo, sismos desenterrados
Debaixo da cama estavam monstros guardados
E corações perdidos ao caos do perder
Ouviam-se uivos trovejantes e relâmpagos
Que explodiam na tempestade desse dia
Á força bruta do mar toda a terra rugia
Chegava medo até aos cemitérios de crisântemos
Nunca a luz rasgava o lúgubre preto

Jamais se ouviam vozes humanas, só deserto
Nada
Nem uma única e preciosa vida
Sobrou naquele campo sem longe nem perto

Ninguém ficou para contar esse dia.
Nem eu, mas recordo-o para sempre como meu…
Quando as lágrimas escorrem pela tua fotografia.

Porque partiste?


Ana Pena

quinta-feira, junho 30, 2005

Conversas com uma Garrafa

Esqueci hoje todas as inquietações,
Na garrafa de vinho sobre a mesa
Pousei os talheres e as preocupações,
Bebi o vinho com verdadeira certeza
De que a garrafa houvera falado comigo
Sussurrado como o mundo é pequeno
Demais para ser meu amigo...
E que às vezes as coisas escapavam-me
Deixando-me os pés frios fora do lençol

Escutei atentamente, dei mais um gole
O vinho era bom
A minha confessora continuava
Ora doce, ora amarga
Rebuscando palavras e sinais
Para me fazer compreender
Que o mundo quase nunca é meu amigo
Quase sempre é pequeno demais...
Mais um gole, era bom o vinho
Mensagens tristes mas a boca contente
A aliviar o diálogo ao menos a bebida decente

De repente fartei.
O dia não estava para isso
Aquela noite ia ser boa
Parei, e disse chega!
O mundo, querida amiga
Não me apetece bebê-lo
Vamos ser amigos, tu e eu
E esquecê-lo
O mundo fica para os outros
Para os que não ouvem
As amizades de uma garrafa
E um bom vinho não basta
Sejamos felizes no nosso aconchego
Eu falo contigo, tu dás-me sossego
Vamos dormir juntos, anda
Sem inquietações e sem medo


Ana Pena
30/06/05

De tanto esperar


Posted by Hello "Girl Standing on Chair in Snowy Field" / Don Hammond- CORBIS



Há colos endurecidos
Esperando ao frio
De tanto esperar



Ana Pena

Há energia quando olhas


Posted by Hello Joseph Rodriguez/ in Greensboro News and Herald


Há energia quando olhas
Dá-se uma paragem quando falas
Uma magia quando tocas
Há segredos que embalas
Um sol quando sorris
Algo de belo e triste nas tuas conversas imbecis
Se o vento existe, em ti existe
Há qualquer coisa de impreciso a flor-de-lis
Numa alma física e carente
É delicioso quando mentes
Uma coisa forte e segura quando finges que sentes
Há qualquer coisa transcendente
Nos teus passos, que eu sigo
Algo de silencioso e presente
Como um acordo antigo
Há um sinal de infinito no teu caminho
Que tu conheces-te há muito
És vidente de ti próprio e de toda a gente

Vives ao minuto, a cada pulsar de segundo
Quem és tu desconhecido
Que hoje me mostraste o mundo?



Ana Pena

terça-feira, junho 28, 2005

Muitas certezas destroem as buscas


Posted by Hello


Percebo agora este mundo confuso
Onde linhas de água se fundem
Na ânsia de se reunir num leito
Sou eu, que não sei distinguir
O bom, do mau, do perfeito
E toda a corrente que flúi
Passa rápido a passos de gigante
E nada dura nas águas de mim
Nem um sol, nem uma noite, nem um amante
Podia ser como uma água estagnada
Com um fundo límpido
Onde nada é mancha
E nada se passa
Ou se desarranja
Mas não sou
Sou uma corrente
Confusa
Turbulenta
Onde mil fios de líquido
Escorrem a juntar-se
E a tentar compreender-se
Embalando à superfície irrequieta
folhas de Outono
Frágeis e transpiradas
Barcos de porcelana sensíveis
Lutando para chegar ao cais
Estes emaranhados desinquietos
Onde se juntarão,
Quando se entenderão
São incógnitas que me fazem viver
Muitas certezas destroem as buscas
Por isso não as sei, nem quero saber

Ana Pena
28/06/05

segunda-feira, junho 20, 2005

Sophia de Mello Breyner, a nova paixão


:P Posted by Hello



Para atravessar contigo o deserto do mundo

Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora, à luz, sem véu, do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste.
E aprendi a viver em pleno vento.

Sophia de Mello Breyner

Ruy Belo, a nova paixão


:P Posted by Hello


A Missão das Folhas

Naquela tarde quebrada
contra o meu ouvido atento
eu - soube que a missão das folhas é definir o vento



Ruy Belo

Miguel Torga, a nova paixão


:) Posted by Hello



Viagem

Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).

Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.


Miguel Torga



Natal

Leio o teu nome
Na página da noite: M
enino Deus...
E fico a meditar
No milagre dobrado
De ser Deus e menino.
Em Deus não acredito.
Mas de ti como posso duvidar?
Todos os dias nascem
Meninos pobres em currais de gado.
Crianças que são ânsias alargadas
De horizontes pequenos,
Humanas alvoradas...
A divindade é o menos.

Miguel Torga

Eugénio de Andrade, a nova paixão

Despertar

É um pássaro, é uma rosa,
é o mar que me acorda?
Pássaro ou rosa ou mar,
tudo é ardor, tudo é amor.
Acordar é ser rosa na rosa,
canto na ave, água no mar.



Eugénio de Andrade



Adeus


Posted by Hello

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquina
sem esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certezade que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.

Eugénio de Andrade

segunda-feira, junho 06, 2005

Manuel Alegre, uma Grande Paixão

Desculpem mas não resisto, não resisto, nem quero resitir.
Mais um hino para o meu blog e para a liberdade dos homens!



:) Posted by Hello

Letra para um hino

É possível falar sem um nó na garganta
É possível amar sem que venham proibir
É possível correr sem que seja a fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.

É possível andar sem olhar para o chão
É possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros.
Se te apetecer dizer não grita comigo: Não.

É possível viver de outro modo.
É possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.

Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre livre livre.


Manuel Alegre, O canto e as armas (1967)

mais uma letra de intervenção...
fantástica... não tenho palavras..:)
Aqui fica também o meu pequeno tributo a um grande poeta português, tão importanto para o movimento do 25 de Abril... sem mais palavras a dizer que tudo é pouco para o valorizar...

As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.


Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.


E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.


De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.


Manuel Alegre, O Canto e as Armas, 1967

Este poema passa a ser o poema oficial deste bolg!Um autêntico hino à liberdade, liberdade que em cada poema Manuel Alergre semeia nas suas palavras.

domingo, junho 05, 2005

Trova do Vento que Passa

(...)
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.


Manuel Alegre

Este poema de Manuel Alegre simboliza a esperança pela Liberdade e foi cantado por Adriano Correia de Oliveira. O cantor era um amigo do poeta e companheiro das lutas estudantis em Coimbra.Anos antes, o convívio entre os dois possibilitou a criação de um poema-cantiga que ficou na história da resistência à Ditadura. *Conta-se que numa noite, em plena Praça da República em Coimbra, Manuel Alegre exprimia a sua revolta:«Mesmo na noite mais triste/ Em tempo de servidão/ Há sempre alguém que resiste/ Há sempre alguém que diz não».E Adriano Correia de Oliveira disse «mesmo que não fiquem mais versos, esses versos vão durar para sempre». Ficaram. António Portugal compôs a música . «E depois o poema surgiu naturalmente». Tinha nascido a Trova do vento que passa. Três dias depois vieram para Lisboa, para uma festa de recepção aos alunos na Faculdade de Medicina. Manuel Alegre fez um discurso emocionado, depois Adriano Correia de Oliveira cantou e quando acabou de cantar:«foi um delírio, teve de repetir três ou quatro vezes, depois cantou o Zeca, depois cantaram os dois. Saímos todos para a rua a cantar. A Trova do vento que passa passou a ser um hino».

*Eduardo M. Raposo, Cantores de Abril – Entrevistas a cantores e outros protagonistas do Canto de Intervenção, Lisboa, Edições Colibri, 2000



Retirado de : http://www.instituto-camoes.pt/cvc/poemasemana/05/01.html

Oh Fernando... és capaz de deixar de tocar as pessoas..?acho que não..

"A Literatura, como toda Arte, é uma confissão de que a vida não basta." Fernando Pessoa


....que a vida não basta...uma confissão! men, que frase!:)

Homenagem a Carlos Paredes

Esse homem, Ah, esse tocador de Guitarra e tocador da Alma. O som nunca morre, antes voa e tu nunca morrerás, antes voas sobre Lisboa!
Mereces aqui uma homenagem, na medida do que posso! Carlos Paredes, és lindo!


Carlos Paredes (1925-2004)

A palavra por dentro da guitarra
a guitarra por dentro da palavra.
Ou talvez esta mão que se desgarra
(com garra com garra)
esta mão que nos busca e nos agarra
e nos rasga e nos lavra
com seu fio de mágoa e cimitarra.

Asa e navalha. E campo de Batalha.
E nau charrua e praça e rua.
(E também lua e também lua).
Pode ser fogo pode ser vento
(ou só lamento ou só lamento).

Esta mão de meseta
voltada para o mar
esta garra por dentro da tristeza.
Ei-la a voar ei-la a subir
ei-la a voltar de Alcácer Quibir.

Ó mão cigarra
mão cigana
guitarra guitarra
lusitana.

Manuel Alegre

Vai dormir pah!

vXiiii men, só agora percebi que muitas vezes as mini-depressões são uma granda pedrada de sono! Se tás deprimido, vai dormir pah!