sábado, março 14, 2009

Tás apaixonado? Cura-te!

Há aqueles gajos, que entre uma fungadela e outra, perguntam Qué feito do Johnny pa? . Epá o Johnny agora não se vê, tá doente, anda apaixonado meu.

Depois há aqueles que numa conversa de noite ao luar, que com 2 cervejas já ficam logo com a língua desenrolada. Eu não sou desses, há muitos que são assim, eu sei, mas eu não, eu dou muita importância aos sentimentos e vivo deles. E preocupo-me muito pelo que ela possa estar a sentir.

Depois há aqueles que ver pipis à frente (ou por trás) não está nos seus planos.

Depois há aqueles que estão apaixonados pelo ginásio. Hoje vou levar a minha miúda a jantar e amanhã à tarde ela vem-me ver a malhar. Duh

Depois há aqueles por quem nos apaixonamos. Que são sempre perfeitos, irresistíveis e estúpidos.


Se eu tentar calcular o tempo que passo na realidade e o que passo na imaginação, no fim, não sei para que lado penderá a balança. Até porque realidade é sempre aquela coisa difícil de definir. Será perigoso reinventar o mundo e viver no nosso mundo reinventado? Por outro lado, será perigoso andar sempre na sombra (ou à sombra?) dos factos factualíssimos, físicos, onde margem para dúvidas é coisa que não há? Como em tudo, no meio é que está a virtude. Pena é que esta resposta seja daquelas que tapa o buraco, mas não chega. É uma resposta piorzinha do que “O melhor é não pensar, rapariga”.

Há pessoas que são felizes na realidade, porque a aceitam como a coisa mais diversa, caótica e imprevisível de todas, que ela é. As restantes podem ser felizes, mas não vivem na realidade. É tão simples quanto pensar: se a realidade é de todos, então eu não posso ter uma só minha. Logo não posso estar verdadeiramente a viver na realidade enquanto a minha realidade for a objectiva através da qual vejo a dos outros.

Talvez seja impossível olhar para o que quer que seja sem ser através da minha objectiva pessoal, que trás agarrada a si o jeito da minha personalidade, os quadros da minha experiência e os olhos da minha imaginação. Mas se queremos estar um bocadinho mais próximos da realidade não é cá dentro que devemos ficar. Devemos subir para uma montanha, deixar que o ar frio nos lave bem os olhos e limpe a cabeça, e ver lá de cima o que se passa cá em baixo. O panorama geral sobre o teatro. E é natural que nessa altura aquele ser que sempre viveu connosco (e viverá), se torne mais claro e, quiçá, mais leve.

“I usually say fuck truth! … but mainly is truth that fucks you”
All is full of love




You have to trust it


maybe not
from the directions
you are staring at

All is full of love

you just ain't receiving
your phone is off the hook

all is full of love
all is full of love
all is full of love
all is full of love
all is full of love

You have to trust it

sexta-feira, março 13, 2009

The Great Miss Judy Garland



De fazer chorar as pedras da calçada...

Horray for Love

ahah Delicioso!




"Porque só aquele que é suficentemente homem pode salvar a mulher na mulher!"

Nietzche, Assim Falava Zaratustra


Será que apareceu algum para salvar estas duas? ;)

quinta-feira, março 12, 2009

i will take the sun in my mouth



I will wade out
Till my thighs are steeped
In burning flowers
I will take the sun in my mouth
And leap into the ripe air
Alive with closed eyes
To dash against darkness

In the sleeping curves of my body
Shall enter fingers
Of smooth mastery
With chasteness of sea-girls
Will I complete the mystery
Of my flesh
Will I complete the mystery
Of my flesh
My flesh

:)

quinta-feira, março 05, 2009

quarta-feira, março 04, 2009

"Reparar" por Saramago

E eu gostei tanto do teu Ensaio, visto pelos olhos do Meirelles, Saramago.

Robin Thicke

Epá fazer baladas como deve ser não é fácil. Cá para os meus botões este senhor é R&B de qualidade. Grande grande música.



O último álbum - Something Else - está muito nice.
Finalmente encontro something else bom.
Magic

segunda-feira, março 02, 2009


La Plus Belle Scène de "Dans Paris"

domingo, março 01, 2009

And the Oscar goes to...

Melhor Filme




Melhor Actor (romântico)



Melhor Actriz (melodramática)



Melhor Western aka melhor cowboiada




Melhor Filme ... "Independente"

Melhor Filme de Animação

(dobrado em PT para os estrábicos)

Melhor Filme de Terror

Melhor Argumento ( "Eu sou Arte Abstracta")


Melhor Guarda-Roupa



Melhores Efeitos Especiais



Melhor Banda Sonora

Prémio Público

(close-up da personagem anterior)

Alguns dos meus amigos










Mas...

Há sempre um mas... :)

Eu e a aldeia
Marc Chagall, 1938

... que belo bocadinho desta tarde. Que bom partilhar o espírito entre palavras, olhares e sorrisos. E sentir que nalgum momento estivemos lá, satisfeitos na unidade um do outro. E obrigada por me dares a conhecer esse escritor.

"A vida está semeada de milagres que as pessoas que amam sempre podem esperar."

in "À Sombra das Raparigas em Flor" de Marcel Proust

XVII. POEMA PARA O MEU AMOR DOENTE

Hoje roubei todas as rosas dos jardins
e cheguei ao pé de ti de mãos vazias.

Eugénio de Andrade

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Anchor Song

O que fazer quando estamos ligados por uma âncora? É uma que prende ou uma que agarra? E se calhar, no último caso, não devemos fazer nada. E agradecer.

“A dependência é uma besta” Jorge Palma. Mas eu já vi saírem sublimes emoções do coração de bestas. E onde não as vi, espero que as haja. “All is Full of Love” Björk. Desejo-o, quem sabe acima de tudo. Que se espalhe em tudo o que vejo e toco. Que se espalhe. E chegue até ao fim do mundo e depois se espalhe para fora do mundo, para lá do céu. “Just cause you’re feeling it doesn’t mean it’s there” Radiohead. Esta é a perigosa. Mas é o que me há-de trazer mais alegria. Pelo menos a vida não tem sentido nenhum e é clara como a água. E clara como a noite. Uma vida sem sentido e cheia de amor.
Nirvana?

Possibly Maybe.

O Caderno de Saramago


O nosso querido José Saramago tem um blog! :) Uau! é uma delícia ler o que escreve, e quão bem o escreve!


quarta-feira, fevereiro 25, 2009

I will take the Sun in my Mouth

Entrei no quimboio a que alguns parvos chamam de metro. Aquilo é um quimboio. E as pessoas esperam pelo quimboio no apeadeiro. A que alguns parvos chama estação de metro.
Entrei no quimboio. Alguns pés, algum chão, alguns barulhilhos da porta do metro.
Sentei-me num siège. E comecei a observar, como às vezes gosto de fazer. Outras vezes nem gosto de fazer, faço sem querer e depois é que acabo por gostar.
Sentei-me num siège. E comecei a observar.
À minha frente uma rapariga de cara redonda, pele branca, alguns sinais. Mãos brancas com veias verdes e um anel dourado. Ao lado uma senhora que me pareceu feia e para a qual tentei olhar de forma a que se fosse embora aquela ideia de "feia".
Virei o pescoço para o lado direito e ao meu lado, nos outros lugares, encontrei uma rapariga. Não, encontrei-me com os braços de uma rapariga. Era a única que trazia t-shirt e os braços desnudados. (Adoro o termo "desnudados"). Então comecei a descer os olhos pelos braços dela. Perto dos ombros e até ao cotovelo eram brancos e tinham sinais. Do cotovelo até à mão os braços eram brancos e com pelinhos que faziam aqueles arcos fininhos uns a seguir aos outros, que se viam bem porque a pele era branca. E depois dos braços tinha no final umas mãos. Que mãos. Nunca as consegui ver por inteiro até aos dedos. Enquanto ela retirava um livro, peça de teatro, A Gaivota de Anton Chekhov (da qual desvendo um pouco mais, agora, pela wikipédia: Várias figuras de A Gaivota são ridículas, o que se nota pelo contraste entre a altivez e a utopia dos seus ideais e a mesquinhez e tolice dos seus actos.) tornei-me uma admiradora daqueles braços e daquelas mãos. Só aquele aspecto delicado mas firme delas. Os ossos raiando do pulso, debaixo da pele, mexendo-se com o mover dos dedos. Enquanto ela lia A Gaivota tornei-me admiradora da forma como ela mexe os dedos quase imperceptivelmente para virar a folha e da forma como ela toca com os dedos na página, como se estivesse a treinar uma música num piano, como se cada parágrafo fosse a tecla de um piano. Aquelas mãos faziam-me lembrar e eram tão bonitas quanto as da Ana do Porto. Era isso, ligavam-me directamente a essa querida memória de pequena. Imaginei que poderia ser uma estudante de arte, de teatro ou de música. Será que o seu namorado alguma vez a tinha olhado com o encanto com que eu o fazia? E ela continuava a usar a página como teclado.
Decidi olhar de novo para as personagens à minha frente e reparei que a rapariga com as mãos brancas e anel dourado e cara redonda e branca tinha estado a ver-me a olhar para a outra. E apercebi-me da minha figura, de como tinha estado com a boca aberta de contemplação a olhar para a outra. E essa rapariga de cara redonda e branca deve ter achado que eu não era boa da cabeça e que era uma voyeur do pior. Então ela pareceu-me fazer um sorriso tortinho de troça, assim de ladinho. E eu achei que ela não era nada bonita. Olhei de novo para a senhora que eu me esforçava por não achar feia. Mas não consegui.
E no final, claro, não resisti e acabei com os meus olhos naqueles braços rechonchudos como os da Guida e naquelas mãos de Ana do Porto, lindas.

domingo, fevereiro 22, 2009

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

A ... coisa

Há quem lhe dê tantos nomes fofinhos, porque é que me calhou logo este no émaile?

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

O Super - Homem

às vezes penso quem me dera não depender de ninguém. Não me doer a dor dos outros. Nem a distância, nem a ausência. Que nunca se me atrapalhassem os pés ou enxovalhasse o coração "na falta que tu me fazes". Mas será isto possível? Uma pessoa assim seria um monstro ou um Super-Homem?
Nietzche, diz-me, será "o mais solitário" o mais triste ou o mais feliz? Viverá nos calabouços do mundo ou mais perto do céu?
"As duas coisas", acho que dirias.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Eu com a cara amarela e esticada e espuma no lábio superior
2009 Nuno Farinha (slogan: "onde há Nuno há espuma no lábio superior")


Strange Place For Snow


Gosto, e penso que a maioria das pessoas também, de ser ouvida. Algumas pessoas perderam a capacidade de falar e outras de ouvir. No fundo ambas perderam a capacidade de ouvir. As primeiras de ouvirem-se a si mesmas, as segundas de ouvirem os outros. Mas é tão bom. Poder ser ouvido com gosto. E ouvir da mesma forma. E tentemos, enquanto ouvimos, olhar para cada diferença física da outra pessoa sem criticar, sem apontar defeitos "que corpo mais mal feito, que nariz horroroso, tantas marcas na cara" Podemos olhar e fazer um tentativa para ouvir, em vez de olhar. "O que me dizem as tuas palavras? a tua boca? o que me diz a tua amizade, a tua presença, o teu sorriso? o me diz o calor da tua alma?"
E só depois de ouvirmos, vermos. E então olharmos. Aí acontece a coisa maravilhosa dos defeitos passarem a feitios.
Só depois de conhecermos, avaliarmos. Ninguém tem culpa do corpo com que nasce. A nossa casa é mais do que isso.
Tentemos conhecer onde mora cada pessoa e como vive, antes de julgarmos as paredes. Sempre foi esse o meu medo.
Por vezes dizem-me que não sou sincera, estou a sê-lo.

Se quiseres, vem, que eu não te impeço. Isso seria negar-me o direito a ser feliz. Todos temos esse direito, desde o dia em que nascemos.
Mesmo que no meio da minha cabeça nervosa e com medo só passe aquela frase que li hoje da Adidas "Porque estou a adorar cada maravilhoso horrível minuto".

Vou tentar tirar a cabeça e o corpo.
Porque felizmente ... acho que a minha casa é muito mais do que isso.




E já agora What a strange place for snow. Noutro dia qualquer não escreveria isto aqui. Porquê expores-te desta forma? Porquê escreveres de uma coisa importante para ti quando ninguém está a ouvi-lo? Quando qualquer pessoa pode lê-lo e vai lê-lo impessoalmente através de um vidro? Esqueceste-te do "silêncio, o precioso silêncio"?

Às minhas coisas eu faço o que me apetece. E esse silêncio que eu tanto venero ninguém me rouba.

Oh My God!


Mas será que já não se pode querer emprenhar que nem uma vaca?

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Carolina isso é muito natural!

Carolina Ina ina ina ina ina ina i naaaa

Nanananananananaaaa. é é é

Nananananananana
é é é
Nananananananana

é é é
Nananananananana
é é é
barubaiábarubeté é é é


Nananananananana
é é é
...


Que música fantástica!

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Nãoooo Nãoooo!! Queimem os Grammys!!

Soube hoje que Robert Plant e Alison Krauss ganharam o Grammy the melhor álbum do ano com "Raising Sand", quando um dos nomeados era "In Rainbows" de Radiohead. MAS o pior não foi isso! Foi eu ter percebido que este Robert Plant



é o mesmo Robert Plantezinho dos meus Led Zepplin, tão formoso e bonitinho



AAHHHHH Raios e Coriscos para os Grammy que me destruiram a imagem bela de Robert Plant! Eu até julgava que ele já tinha perecido!

Super Mom? or not?



Oh Meu Deus...será que eu um dia vou ser assim? A verdade é que os 8 bebés são tão lindos!

sábado, fevereiro 07, 2009

À meia noite na rua do desvario



Fotógrafos: Maria Santos, Margarida Mendes e Ana Pena
Pessoas que deram ideias para as fotografias: Maria Santos, Margarida Mendes, Ana Pena e David Ferreira

=)

Proponho que os amiguinhos da vida airada façam um concurso de fotografia em que o júri é constituido por nós mesmos:) era giro!

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

I'm a very tall flower


Satellite



O meu amigo Alberto de dia (a dormir)


O meu amigo Alberto de noite (acordado)




I'll be your mirror


When you think the night has seen your mind
That inside youre twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
cause I see you

(Velvet Underground)



Desta vez já não é só de fazer inveja a Gotchayingyangs mas também a meninos armados ao pingarelho como "start walkings" e "live lifes"! olhem startem mas é a tirar fotos de jeito em vez de andarem a tirar fotos aos vossos pezinhos e "ai, como foi o meu dia" =) ahhhhhah

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Il magico innaffiatoio!

O regador mágico, 2009
Ana Pena



Não, não é o próximo filme do Manoel de Oliveira! É o título do meu novo filme/livro/whatever, com este belo frontispício que põe inveja a Gotchyayingyangs e outras que tais! ahah
Conta a história de um regador mágico, The magic watering can ou Il magico innaffiatoio!
É constituído apenas pela imagem que aí está
É claro que ninguém comentará este post porque não tem interesse nenhum. Afinal não se vê nenhum ser humano a mostrar os pêlos púbicos. Não está lá ninguém que possa ser ridicularizado. Não retrata uma guerra. Não mostra o sofrimento de ninguém. Não se vê nenhuma cena romântica. Não incomoda de nenhuma maneira. Não o atrai ou faz com que o olhar a evite. Não tem interesse nenhum.

Mostra um lugarzinho que passa despercebido, sem nem a ponta de uma unha de importância para o mundo, um facto sem nenhuma cabeçinha nem nenhuma alminha Ah...
e como isso é belo, como isso é tudo.
Pena: Quando se tem a Natureza, não é preciso nada mais. Não preciso de nada mais :)


Il magico innaffiatoio! Il magico innaffiatoio! Il magico innaffiatoio! :)

domingo, fevereiro 01, 2009


Le Cirque Bleu, 1950
Marc Chagall

I'm so fucking fucked



L'Anniversaire , 1915
Marc Chagall


Quem me dera que estivessemos dentro de um quadro do Chagall. Quem me dera ser aquela rapariga de preto que parece fugir, e parasse. Para te ouvir e me ouvir. Quem me dera que estivessemos dentro de um quadro do Chagall e lá dentro as regras do mundo não fossem. Quem me dera que ambos pudessemos festejar. E eu pudesse ficar feliz por finalmente ter sabido, e acreditado. Quem me dera. Quem me dera. Quem me dera poder mostrar feliz que já não sou cega.


Mas a realidade é outra.
E eu não posso. Nem explicá-lo posso.


desculpa...

bulletproof ... I wish I was

sábado, janeiro 24, 2009

Edward Weston, Tina na Açoteia, 1923

A beleza de um fotógrafo ser fotografado.
Seremos todos voyeurs uns dos outros.


E quem gosta ... volta sempre.

terça-feira, janeiro 20, 2009


"Diego, esta carta es una mentira.
La verdad es que París no es el mismo sin usted."

Friducha, que va hacer con mi panzón?

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Pro ba bi lística



Qual é a probabilidade de uma coisa que nunca aconteceu, acontecer?
As coisas que nunca aconteceram habitam um espaço probabilístico ambíguo e indefinível. Eu diria ... impensável?

Uma coisa que acontece 90 vezes em 100 tem 90% de probabilidade de ocorrer. A maioria de nós pensaria nela como algo provável.
Uma coisa que acontece 1 vez em 1000 tem 0,1% de probabilidade de acontecer. Por isso pensa-se nela como uma coisa improvável.
Mas uma coisa que nunca aconteceu, que probabilidade tem de acontecer?

Não é improvável, não é impossível. É o quê, então?

Medicina do Povo

AHAHAHAHAH, só isto para me pôr a rir caraças!!!

Qual pessegueira e qual patite!! :D

domingo, janeiro 18, 2009

Fucking Thrill

Eu não tenho de aceitar merda nenhuma.
Eu não tenho de estar fodida e aceitar.
Não tenho de me contentar quando vejo os outros a terem o que eu quero.
E se o mundo não é dos loucos é de quem diz-me lá? É de quem diz-me lá?
Eu só tenho é de mandar toda a gente à merda. À puta que os pariu.
Só tenho é de mandar esses filhos da puta irem foder para outro lado.

sábado, janeiro 17, 2009

Conversa

Memories always start 'round midnight
Haven't got the heart to stand those memories,
When my heart is still with you,
And ol' midnight knows it, too.

- Hoje vi um filme, Vergílio, e lá dentro vi o amor. Porque nada foi declarado, mas era claro.
- ... Se calhar devias consultar um médico. Sabes que eu já morri não sabes?
- Tu não morreste, e nem sequer sabes que não morreste. Nunca leste a "Aparição"?
- Também deves saber que é de mau gosto fazer piadas irónicas com um morto. Podes não gostar da resposta.
- Tens razão. Eu puxei o assunto amor, porque é que ainda não deste continuação?
- Chegou a minha vez de dar um ar de graça. Tu dizes que andas a ler o meu livro mas deve ser apenas para te convenceres que és intelectual. Caso contrário lembrar-te-ias...
- De...?

- 337. O vocabulário do amor é restrito e repetitivo, porque a sua melhor expressão é o silêncio.

- Então e se eu tiver vontade de falar sobre ele?
- Tentas falar, mas nunca hás-de conseguir. É um problema de linguagem.
- E se eu precisar de dizê-lo a alguém?
- Dizes. Em silêncio.
- Silêncio...o silêncio não diz nada ... Só desdiz.
- É em silêncio que as maiores emoções da tua vida acontecem. Que as maiores verdades se revelam. Como ... não diz nada?
- Tu falas mesmo como sendo o autor da Aparição ... terei de entrar no teu jogo então. Vou ter de acreditar em mistérios. Em revelações. Em indizíveis. Em impossíveis.
- Em equilíbrios e encontros icognoscíveis.
- Encontros icognoscíveis ... gostava de fazer uma pausa e ouvir-te falar disso, porque gosto de acreditar nisso...

- No insoldável de nós, com a sua mutabilidade, se decide radicalmente a escolha do quem somos.(...)É nessa relação da nossa liberdade com o icognoscível de nós que se cria o nosso "equilíbrio interior" - que é o único fundamento para as verdades humanas, com a determinação sensível do que está certo ou errado. A verdade é amor - escrevi um dia. Porque toda a relação com o mundo se funda na sensibilidade, como se aprendeu na infância e não mais se pôde esquecer. É esse equilíbrio interno que diz ao pintor que tal azul ou vermelho estão certos na composição de um quadro. Assim o que exprime o nosso equilíbrio interior, gerado no impensável ou impensado de nós, é um sentimento estético, um modo de sermos em sensibilidade, antes de o sermos em razão ou mesmo em inteligência. Porque só se entende o que se entende connosco, ou seja, como no amor, quando se está "feito um para o outro". Só entra em harmonia connosco o que o nosso equilíbrio consente. E só o consente, se o amar.

- É verdade. É pelo menos o que sinto, ou melhor, o que o impensado em mim sente que é verdade. Mas ... porque temos (ou será só de mim?) esta necessidade de dizer o que sentimos, mesmo que seja dizê-lo em voz alta só para nós mesmos? E depois percebermos que dizê-lo não vai fazê-lo sair.
- Desculpa ser tão agarrado aos meus próprios discursos. Mas também depois de lançar um livro, estranhamente, as minhas palavras deixam de ser minhas e ficam por aí, soltas no mundo. Por isso em relação ao que falavas talvez se eu te disser...

23. Escrever. Porque escrevo? Escrevo para criar um espaço habitável da minha necessidade, do que me oprime, do que é difícil e excessivo. Escrevo porque o encantamento e a maravilha são verdade e a sua sedução é mais forte do que eu. Escrevo para tornar possível a realidade (...). Escrevo para tornar visível o mistério das coisas. Escrevo para ser. Escrevo sem razão.

Percebas que dizê-lo o faça ser menos insuportável. Porque é excessivo e resistir à sedução de dizê-lo é difícil. Porque o que queres falar é para ti uma história de encantamento e maravilha. Porque queres tornar possível a realidade. O possível que ultrapassa o pensamento e é visível. Nem que seja numa dúzia de palavras, para que tu própria as escutes. E acredites. É uma vontade forte porque é do teu subsolo, porque é uma sem razão.
- Embora por mais que eu fale nunca consiga dizer o que quero. Vejo-o melhor do que o explico.
- Se o vês é bom, já tornaste possível a realidade. Porque já tens a certeza de que existe.
- Porque sinto.
- Porque sentes, essa é a primeira relação com tudo. E tu têm-la.
- O problema é que este possível, como tu dizes, é um impossível. Um impossível que me encanta.
- ... Eu não resolvo problemas. Só falo sobre eles.
- Tu não resolves problemas. Eu nem falar sobre eles.
- Porque é que em vez de te concentrares nessa vontade que tens de acreditar naquilo que tu já acreditaste, não tentas comunicar o teu problema ao seu motivo.
- Em silêncio?
- É possível dizeres "as tuas mãos são lindas, os teus olhos são lindos, a tua boca é linda, o teu cheiro é ... lindo, a tua presença é ... é ... linda" e todas as outras baboseiras em silêncio. Todas essas baboseiras ... lindas.
- Confesso que não és assim tão louco. Sabes porquê? Porque pode dizer-se muita coisa sem nada dizer se houver alguém disposto a ouvi-lo. Posso sentir um silêncio que se recolhe ou um silêncio que se expande. Posso dilatar o meu coração se houver espaço para isso. E o espaço não se diz pois não?
- Pois não. O espaço não se diz.
- O espaço não se diz.

- O espaço
- Não se diz


205. É Primavera. É bom encostarmo-nos ao nome e ser alegres. Porque há nomes que são já o que podemos ser neles. É Primavera. "E por vezes é Inverno". (...) Hoje, todavia, houve sol e havia já verdura à sua espera. Há uma aragem na tarde grande, olho da janela o tremular das folhas. O sol parte-se nelas num cintilar febril. Olho-as muito tempo até já não as ver. E o que vi depois foi uma alegria sem razão, que é a razão de tudo o que existe e a não tem. E escrevo isto antes de já o não saber.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Um Livro

44. Saber porque é assim. Que é que se desencadeia em nós para a emoção que vai ficar? Que é que foi ontem, há dezenas de anos, para o que veio a ser hoje? Como posso adivinhá-lo para amanhã? Porque nada foi nunca para o reconhecermos no que foi um dia. Houve talvez uma amargura para se esquecer. Uma ilusão que doeu. Uma nódoa negra para não ser claridade. Um vexame numa prega de nós que se compôs para sermos em lisura. Mas inserido nisso, qualquer coisa depois se avolumou, se sobrepôs ao mais, se desenvolveu em beleza na dissipação do tempo. Ninguém sabe se uma alegria passada desapareceu na memória ou é a alegria que veio a permanecer. Ninguém sabe se um dissabor é o mesmo que se abriu depois em legenda. Porque só o irreal permanece, ou seja o que nunca existiu. É o irreal que se não vê de todo o real que se vê. Que é que houve no que hoje me comove? Não o soube então para o poder saber hoje. (...)

V. Ferreira (1992) Pensar

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Quarto 2046


- Fortunateley all women have a mistery to be solved by a man. While men have no misteries. They just have secrets. Secrets to be unraveled.
- The answer to that is
- Yes, you can.

domingo, janeiro 11, 2009

Eye Contact


Marc Chagall - Enchantement vesperal


contacto - do Lat. contactu - s. m., estado de dois ou mais corpos que se tocam

sábado, janeiro 03, 2009

I'm Mad About the Boy

You need to learn
And I need to be teached

We should not wait "'til the shine wears off"

Before that
we should get lost, we should get lost.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Queres um rebuçado de morango?

Eu sempre fui aquele
que tinha em mim
todas as incertezas.
Sempre fui entre nós
o estandarte da insegurança.

"Porque é que o céu
não pode ser sempre azul? Porquê?"

"E o que é que isso importa?
O que importa é que ele hoje está azul
não te preocupes mais..."

Sempre relativizaste tudo e por isso
posso dizer "foste o meu apoio".

O dia chegou em que, ou porque te cansaste,
ou porque finalmente te contagiei
com o meu Princípio da Incerteza
começaste tu a questionar.

"O que temos, o que teremos?
Sempre? Nunca?"

Eu não tenho respostas
só perguntas, tu já sabes.
Nunca "Fui teu apoio"

Quando quebraste a tua liberdade de viver
por tanto bateres na minha esperança de pedra
ficaram os cacos.
Os cacos de ti espalhados na minha vida.

- Queres um rebuçado de morango?
- Não

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Vou-te contar uma história:

Era uma vez um menino e uma menina que não sabiam o que fazer um ao outro.
Andavam a pé até se cansarem, brincavam até se fartarem e riam-se um com o outro.
Um dia a menina acordou crescida e começou a pensar. Pensou no presente, no futuro e no passado. E perguntou ao menino se ele também queria pensar nisso com ela em vez de brincarem como sempre fizeram.
Ele nem sequer respondeu.
Em vez disso perguntou-lhe se ela queria um rebuçado de morango.

domingo, dezembro 14, 2008

The Good, the Bad and the Ugly

A Egoísta
A Intriguista
A Pseudo-Altruísta
A Esquisita
A Arrogante
A Dependente
A Espírita


A Bonita

terça-feira, dezembro 09, 2008

I'm inside free enterprise

No mundo perfeito
A Paula ficava com o João
A Sara com o Diogo
O Luís com o Pedro
O Chico com a Catarina.

No mundo imperfeito
O amor não existe e existe ao mesmo tempo.
Existe mágoa.
Existe medo.

E existe o Simão que gosta da Clara.

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- Amo-te tanto meu amor.
- Desliga a luz e vamos dormir.
- Amo-te.
- Desliga a luz e vamos dormir.
- Amo-te. Amo-te como se fosses o ar que eu preciso.
- Hoje cheguei bastante cansada do trabalho. Amanhã tenho de levantar-me cedo.
- Amor, amor, eu amo-te não ouves? Amo-te muito.
- Já está tarde.
- Amo-te perdidamente.
- Tenho mesmo de ir dormir.
- Amo-te. Amo-te. Amo-te.
- É agora. Apaga a luz se faz favor. Estás para aí calado há tanto tempo, sem dizer nada.

- Amo-te tanto meu amor.